sábado, 31 de janeiro de 2015

Janeiro


Observamos o leme cortar o mar
Velejando noite a dentro
Estiramos as velas
Guiando-nos até a ponte


Velejamos em direção à terra
Aportando nas pedras grandes, areias escuras
Vadeamos pela praia
Que bagunça!
Infernal

Lá eu me encontrei
Agradecendo eternamente
Abrigado em uma casa improvisada
E ali nós dormimos
A tempestade acalmava

 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A caixa de aveia


A mudança é um estado inevitável. Essa percepção não é nova para mim nem me oponho a ela. Na verdade, procuro sempre a forma mais eficaz de ser um agente de mudança. Abraçar uma nova causa, inovar, evoluir constantemente.

No entanto, há sempre aqueles raros momentos que passam despercebidos, nos pegam de surpresa e confronta nossos próprios pré-conceitos. Um deles lembrou-me o quanto somos adestrados e ficamos facilmente acomodados às normas. Eu estava no Mateus no outro dia (nosso supermercado local) e estava comprando uns itens de costume que utilizo depois do treino: ovos, aveia , leite, proteínas, frutas. Enquanto andava pelo corredor, sem olhar para as prateleiras e já com o braço estendido prestes a pegar minhas duas caixas de aveia quando percebi que eles tinham "ido embora".

Olhei para cima, para baixo, para os lados e nada . Tudo o que eu vi foram itens que eu nunca tinha visto antes. Que m***! Peguei minha cesta e segui à procura da sessão de farinhas e derivados, pensando o tempo todo comigo mesmo "Que diabos!"

Olhei um pouco mais em volta e logo me virei, lá estavam elas. As caixinhas de aveia haviam mudado para um lugar diferente da ordem que eu costumava encontrá-las e não havia nem mesmo a quantidade que normalmente sempre tem.

Eu rapidamente percebi o quão chateado eu tinha ficado por essa simples mudança. Murmurei baixinho e mandei o todo mundo no Mateus para a Pqp por me fazer perder valiosos minutos do meu tempo. Por que eles não podiam simplesmente deixá-las lá onde estavam? Para quê trocá-las de lugar? E por que isso me incomodou tanto assim?

Já na fila para o caixa, me dei conta de que o simples ato de romper com esta sequência normal e rotineira de tantos meses (ou anos) me aborreceu a ponto de ficar realmente P da vida com uma rede inteira de supermercados, por mais bizarro que isso possa parecer. 

Se você ler com atenção você vai perceber essa não é uma história sobre mim ficando com raiva por que o Mateus resolveu trocar de lugar as caixinhas de aveia; é uma história sobre a vida, uma história sobre você, sobre o seu presente.

Eu deveria ter apoiado a decisão de terem mudado as coisas de lugar. A inovação trouxe mais espaço e outros itens antes não encontrados no supermercado agora ocupavam o lugar das caixas de aveia e isso aumentou a oferta de mais produtos. A mudança era necessária. Às vezes a coisa mais segura que você pode fazer é arriscar-se e a coisa mais arriscada de todas é continuar a ser sempre o mesmo.

Nós resistimos, procrastinamos, nos aborrecemos, nos protegemos a todo custo e reprovamos a mudança ao nosso redor. A mudança que pode quebrar e redirecionar os nossos hábitos, a mudança que pode mexer com o nosso namoro ou casamento, a mudança que pode nos fazer finalmente soltarmos e nos livrarmos do que nos deixa infelizes. O milagre nunca acontece na zona de conforto, e somente a mudança pode nos colocar no caminho que nós sempre quisemos caminhar.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Recluso

Ele mora sozinho.
Ele não tem amigos.
Ele tem dinheiro, sacos e mais sacos do mesmo.
Ele sabe que sempre estará sozinho.
Ele sabe que vai morrer sozinho.

Ele sempre soube que seria assim.
Ele nunca sentiu pena de si mesmo.
Não há sequer uma alma no mundo que pensaria duas vezes se ele morresse.
Nenhuma lágrima seria derramada por ele.

Não há ninguém que se preocupe com ele.
E o mais engraçado é que ele não se recorda de jamais ter havido alguém que se preocupasse.

Ele sempre rejeitou esses tipos de pensamentos antes;
O que será que os estão trazendo à mente agora?
Será que surgiu uma espécie de arrependimento diante de sua morte iminente?

Ele nunca se apaixonou.
E, até onde ele sabe, nunca foi amado por uma mulher.
Aqui e ali, ele conheceu algumas.
Algumas mais belas, sentiu enorme desejo carnal;
Mas amor, não.
Nunca se envolveu mais do que isso.

No buraco negro que é sua mente,
Houve sempre uma vaga idéia de que um dia,
Ele iria encontrar a mulher que ele esteve sempre procurando.
Ele provavelmente iria sossegar e ter um belo casal de filhos.
Mas, novamente, ele sabia que era loucura manter tais idéias em sua cabeça.
Porque ele está destinado a ficar sozinho.
Até o fim.

Ele já está de fora do resto da humanidade.
Ele é um recluso.
É tarde demais para começar a viver do jeito que ele sonhava..
Não é algo que ele escolheu para si mesmo;
É apenas a forma em que a vida o tratou.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Sonhos


Você já se deu conta de que a vida é como arremessar um bumerange, te devolve na mesma proporção aquilo que você jogou? Já percebeu que a vida nos trata correspondendo a tudo que tiramos dela ou acrescentamos a ela? Então olhando por esta perspectiva, que tratamento você tem dado à sua vida? Que resposta você tem dado ao seus sonhos?


Não importa qual seja, nunca desista de um sonho que você tem. Lute por ele a todo custo. A vida não tem o mesmo gosto e alegria quando não possuímos um ideal a ser conquistado. Por isso, plante seus sonhos com firmeza e convicção em sua mente e coração, e lute como louco para que ele aconteça e se torne real. 

Mas atenção, nós só podemos chamar de sonhos as coisas que dependam exclusivamente de nós mesmos. Nada pior do que se desgastar e empenhar toda a nossa força e dedicação com algo que necessita da aprovação ou aceitação de outros. Sonhe com algo que somente você pode conquistar. 

Contratempos, bloqueios, muros de pedras... aceite-os como parte de sua jornada, mas não permita que eles tenham poder definitivo. Lide com eles e aceite que machucar-se ou cair é válido e suscetível, mas não deixe que nada disso tenha a palavra final. Passe por todo obstáculo que tiver de passar, ou desmonte-os pedaço por pedaço... persevere... e continue em seu caminho.

A verdadeira batalha não é travada com cenas monumentais de guerra, mas em pequenas vitórias minuto-a-minuto. É colocar continuamente um pé na frente do outro apesar de adversidades... mover-se para frente independentemente de qual direção o vento soprar...  viver cada dia, cada hora, com um propósito.

Grandes e pequenos passos igualmente fazem uma jornada. Alguns passos são leves e descuidados, outros estão sobrecarregados com dúvida e ansiedade. O ponto... em ambos os casos... é manter o movimento em direção ao seu objetivo, mesmo quando a probabilidade de sucesso parece remota. 

Há uma beleza verdadeira e duradoura em seguir os sonhos quando se escolhe acreditar neles. Quando se ouve o coração. A primeira voz que você ouve, a que fala e diz o que quer, mesmo quando a alma sente medo. Este é o grande poder que temos dentro de nós de atrair o que desejamos.




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Noite estrelada

A Noite Estrelada ( De Sterrennacht, 1889), Vincent Van Gogh.

Confesso que, eventualmente, como nesta noite de terça-feira, clima ameno, estrelada, sem nuvens, brisa suave, sinto-me como se quisesse estar em qualquer lugar menos onde estou, ser outra pessoa que não eu mesmo, sentir algo que não sinto, não sentir o que sinto, querer algo diferente do que normalmente quero, não querer o que normalmente acho que quero. Às vezes queria voltar a acreditar que as nuvens são de algodão.

Confesso que está escuro lá fora. Os passarinhos que construiram seus ninhos bem no alto do meu pé-de-goiaba ainda dormem. E estou com aquela velha espécie de premonição mas, infelizmente, com o torpor do sono da madrugada que vem chegando, se torna difícil me lembrar do que se trata.

Confesso que é nestas horas mais tranquilas da madrugada, quando a noite ainda não se foi e o dia ainda não chegou que sempre me encontro comigo mesmo. É nestas horas mais frias e escuras que os meus demônios interiores se acalmam, deixando espaço para o eterno adolescente que mora dentro de mim faça seus planos, sonhe, planeje os dias que tem pela frente, tomando um chocolate quente, lendo livros cheios de palavras compridas e sem figurinhas, ouvindo musicas, brincando.

Confesso que eu acredito em Destino. Não naquele Destino que dita como vai ser a minha vida, mas naquele que dá a certeza de que certas coisas DEVEM acontecer, de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde. Mas que vai acontecer, isso vai, e não tem como fugir. Quero dizer, algumas pessoas nós TEMOS que conhecer. Algumas coisas nós PRECISAMOS fazer. Decisões a serem tomadas, erros a serem cometidos, brigas a serem travadas.

O Destino não se encarrega de realizar tudo isso, ele apenas nos coloca diante de todos os mil e um caminhos que nos levarão até lá. Penso que a gente já vem encarregado de aprender alguma coisa nessa vida. Aprender ou ensinar; a gente tem que dar tempo para as situações e pessoas, pra entender o motivo de estarem ali, na nossa vida. Não é que eu seja adepto do "deixa rolar", acho que a gente tem que fazer acontecer se está afim de alguma coisa - ou não. Mas em certos momentos, a gente tem que ser mais observador. Ter paciência (e um pouco de bom senso) pra perceber e entender que "se tiver que ser, vai ser", mesmo que a gente nem queira mais, quando um dia der certo. 


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reticências... Um ponto.



Nós nascemos... crescemos... e estamos morrendo. Entre o nascer e o morrer nós amamos e odiamos... rimos e choramos... ganhamos e perdemos... damos e recebemos... quebramos e consertamos... caímos e levantamos... conhecemos a felicidade e a tristeza... somos ora corajosos, ora medrosos... nos agarramos a oportunidades, outras deixamos escapar....

Alguns de nós têm amigos... e os conhecemos tão bem quanto pensamos conhecer a nós mesmos. Alguns de nós têm família... e é como se o próprio pai ou irmão fossem completos estranhos. De um jeito ou de outro, a verdade é que preenchemos nossas horas, minutos e segundos com VIDA... outros irão dizer que não é vida quando só há aborrecimentos, decepções, medos ou traumas. Às vezes mal conseguimos nos conter por esperar alguma coisa... outras vezes esperamos mais que devíamos e até desistimos. Ficamos ricos em alguns aspectos... pobres em outros. Ajudamos sem esperar nada em troca... e somos ajudados por quem menos imaginamos. Alguns de nós vivem até morrer... outros simplesmente morrem um pouco a cada dia.


Onde você estava há um ano? O que quero dizer com isso é... COMO você estava há um ano? Emocionalmente... fisicamente... financeiramente.

E agora? A sua vida está melhor ou pior, como você vê isso? Você tem uma vida "boa"... uma vida "ruim"... vida nenhuma?

Agora pense novamente há exato um ano atrás... e reconte os muitos dias... semanas... e meses que existiram. Imagine quanto tempo foi gasto trabalhando... fazendo compras... divertindo-se com amigos... lembre-se dos momentos de desânimo... das fortes emoções... da tristeza... da paz... dos momentos agitados e dos momentos de tranquilidade.

Pois é.. aquele ano se foi... passou e acabou... e trouxe você exatamente aqui... no AGORA. Cada sorriso... lágrima... gesto... sabor... toque... beijo... ação e reação... tudo isso combinado para trazê-lo aqui a esta página e este momento.

Mas o melhor é que esse "agora" não é um ponto final. Este agora é um outro começo que irá conduz ao nosso futuro... e enquanto isso possa parecer redundante, simplório, o-que-esse-louco-tá-falando, querendo ou não, já começa também a fazer parte do seu passado.

Com o tempo, aprendi que precisamos viver este agora com o maior afinco de que podemos dispor, porque ele é o único momento que conta para qualquer coisa. O passado é intocável, exceto em nossas lembranças... e apesar de todos os nossos planos e garantias imaginárias o futuro é ainda desconhecido.

Isso nos deixa apenas com este momento para vivermos, o que significa que devemos vivenciá-lo completamente... mesmo que esteja sendo um saco. Mas nada dura para sempre e eu sei do que estou falando, porque eu estive lá... E agora estou aqui... exatamente como você sempre esteve aqui. Sempre.

Nada vale mais na vida do que o presente, que é a maior dávida para a nossa vida. Poder estar aqui, agora, e experimentar este momento, tomar decisões a partir desta hora porque este agora, é um tempo muito curto, de fato. Mas é o começo do meu futuro e o final do meu passado, tudo em um só instante, um piscar de olhos.
  



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Escape



Numa dessas conversas bobas que tive há poucos dias com um velho amigo, falávamos de superpoderes e ele me diz que, se pudesse escolher, iria querer a habilidade de ler a mente de outras pessoas. Algumas horas depois voltei a pensar nessa conversa e, por um instante, fiquei aliviado por saber que superpoderes não existem.

Para mim, a minha mente é o mais seguro de todos os lugares. Nela não há nenhum julgamento, nenhum escrutínio, ninguém que possa ouvir meus pensamentos. Além disso, ainda que pudessem ler, ninguém seria capaz de descobrir o que eles significam, porque existem, ou de onde vieram. O que é verdadeiro, imaginário, casual e íntimo estariam juntos e sem distinção alguma uns dos outros. 

Eu iria querer, em vez disso, a habilidade de poder voar. Mais clichê que isto é impossível, mas não estou tentando ser original, apenas honesto. Eu gostaria de ser capaz de me mover com o vento, acima das nuvens.

Voar para um lugar onde eu pudesse estar sozinho e olhar para baixo. Olhar e ver este mundo tão frenético se mover ao meu redor. Ou até voar para o topo de uma árvore bem alta onde o ar é tão calmo e silencioso  que o tempo parece estar congelado. Principalmente, voar para um lugar onde ninguém pudesse me tocar. Onde ninguém possa me fazer mal ou ferir. E, se tentasse, eu apenas voaria para mais longe.