terça-feira, 20 de setembro de 2011

Você pode me ouvir?



Eu não disse uma palavra, e ainda assim falei mais do que devia.

Meus pensamentos e desejos estão escritos por toda minha face.

Este sorriso não passa de uma distração.

Você está evitando meus olhos por saber que eles estão pedindo sua ajuda?

O silêncio que criamos continua gritando em minha cabeça.

E você segue sem ainda ouvir nada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Perfeição



Perfeição é uma estrada que some no horizonte. Uma condição não alcançada, e inevitavelmente almejada. Ela é perfeita, mas você não é perfeito. Eu não sou perfeito. Perfeitos não são seus sonhos e nem seus objetivos. Perfeição não é o seu destino. Sua busca pela perfeição sempre irá conduzi-lo à imperfeição.

O perfeito te faz deixar de ser quem você realmente é. Ele te inebria, te ilude, te consome até o fim e esgota o último de sua energia em tentativas frustradas de realizar o inatingível. Perfeição não é a resposta. Perfeição é inimiga. Já dizia Fernando Pessoa que "o perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito".

Em vez de perfeição, devemos pensar em outra meta muito melhor e possível de ser alcançada: a EXCELÊNCIA – a arte de dar o melhor de si e fazer tudo da melhor forma possível. Ser excelente é ser melhor a cada nova oportunidade que surge, em cada detalhe e saber aproveitar ao máximo cada momento vivido. Este é o grande segredo para uma vida de grandeza e sucesso!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Outro

 

Estamos numa encruzilhada e são três as nossas opções: (01) nos tornamos amantes, (02) damos adeus um ao outro ou (03) comodamente deixamos tudo nas mãos do destino.

Eu trago na bagagem tudo o que poderia ter sido e não poderá ser. Carrego comigo o arquivo morto dos planos desfeitos. Coloco-me frente a frente com o destino só para não perder a oportunidade de jogar na cara dele e dizer:

– Você mentiu, não havia nada reservado para nós.

A opção número 01 é indigesta. Tem o gosto doce do momento passageiro e o sabor amargo dos dias seguintes que nunca parecem ter fim, o gosto amargo da espera, a acidez da frustração e é tão insossa quanto a falta de coragem dos covardes.

Optar pelo 01 é assumir o papel de número 02 na vida de alguém. É ser o Second Best. É estar na retaguarda. É ser um reserva no banco sentimental e ser a estrela apenas mediante a ausência do titular.

Ser a segunda opção é transformar-se numa massinha de modelar de jardim de infância. Em nome de um sentimento obsessivo você tem que estar disposto a abrir mão dos seus próprios valores e predispor-se ao que der e vier. 

Você se deixa moldar, não pode cobrar, não tem dias e nem horários fixos e não pode demonstrar seu mau-humor. Não importa o que aconteça você sempre dará um jeito de se encaixar na agenda dele porque ele é quem tem o controle sobre você e deixa claro que você não pode ocupar o espaço destinado àquele que já é a prioridade.

Ser a segunda opção implica em ter que conviver insistentemente com os flashes importunos que passam pela sua cabeça ao lembrar que, enquanto você se faz de sombra, ele constrói sua vida sob os holofotes ao lado de outra pessoa.

Você tem que assumir a imutabilidade dessa conveniência de mão única ao mesmo tempo em que lá no fundo você tenha uma vaga esperança de que um dia essa circunstância possa mudar. Mas não vai mudar.

Ser a segunda opção é consolar-se com o pouco quando na verdade se quer o todo. É jogar a toalha, desistir da luta e contentar-se com o prêmio de melhor fair play.

Não é para mim.

Assim como nos jogos e competições, também na vida aprendi que nunca se ganha um prêmio de segundo lugar, apenas se perde o primeiro. E se é para competir, que seja pela vitória.

sábado, 16 de julho de 2011

O Tempo Cura?



Eu me dei conta de que o tempo não cura todas as feridas. Às vezes é preciso muito mais do que apenas tempo. Lembra de quando você era criança e se machucou ao cair da bicicleta ou brincando de correr? Você chorava sem parar e a ferida ardia muito. Mamãe ou papai vieram e o abraçaram, dizendo que tudo ia ficar bem, que "já passou". Eles lavaram o machucado, limparam o local e fizeram um curativo: "Tá vendo, logo vai sarar!"

Os anos passaram. Você ainda tem as cicatrizes. Você ainda tem a lembrança exata do que aconteceu, do que você sentiu, do que fez e como tudo sucedeu. O tempo passou. Mas você ainda vê onde tudo aconteceu. Aquele pedaço de sua pele não é o mesmo que o resto de seu corpo. É apenas um pouco mais sensível e sempre será suscetível a "abrir-se" de novo com alguma pancada certeira.

E quando o coração é ferido? O tempo é o bastante para curar ou é preciso mais? É necessário alguém para fazê-lo sentir-se melhor assim como nossos pais o fizeram em nossa infância? É preciso alguém para limpá-lo e garantir que tudo vai ficar bem? Tem de haver aquela sensação de segurança de que não vai acontecer de novo? Será que ficaremos mais fortes ou haverá cicatrizes como aquelas em nossos corpos que sempre serão mais sensíveis e suscetíveis a se abrirem de novo?

Compreendo que não sei... talvez o tempo o diga. 

.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Observação


Observar. É o que faço ao longo desses vinte e poucos anos de minha vida. Muitas vezes só conseguiremos entender grandes idéias se simplesmente pararmos e olharmos as partes pequenas das quais elas são constituidas.

Lembro que, na infância, quando visitava meu pai durante as férias, gostava de me sentar às margens de um rio em cima de uns sacos de areia. Eles fizeram uma espécie de ilha com vários desses sacos e havia um tronco de árvore que servia como ponte que ligava a margem do rio até os sacos, então eu conseguia ter acesso a água sem causar muita agitação. Às vezes me sentava ali por horas, observando os peixinhos nadarem tranquilos ao redor dos montes de areia. Eu observava como eles interagiam entre si e interagiam comigo, porque às vezes eu não resistia e tentava pegar alguns com as mãos.

O tempo que passei sentado sobre aqueles sacos de areia me ensinaram que a calma e a serenidade têm um pontencial incrível de revelar mundos jamais antes vistos. Se eu não tivesse parado por um tempo para observar o mundo a minha volta, eu teria apenas dado uma olhada naquele rio lamacento, sem conseguir enxergar o tesouro que ele abrigava por baixo.

Isso me faz pensar no quanto as pessoas correm - contra o tempo, contra a maré. Buscam tranquilidade e motivos pra se evadirem de preocupações e problemas, e com isso ganhar tempo. A verdade é que nunca nos falta tempo para nada. Não temos o controle do tempo, e sim ele sobre nós. A paz e a inocência encontram-se muito além do mundo das aparências, dentro de cada um de nós.

Isso não significa que não devemos agir. Nosso mundo é agitado e exigente. Precisamos nos manter em movimento para a nossa própria sobrevivência e às vezes decisões ousadas e imediatas precisam ser tomadas. A humanidade é egoísta e a Mãe Natureza é indiferente, o que faz da observação algo ainda mais difícil. Penso que assim como eu não resistia e lançava minhas mãos na água na tentativa de apanhar algum peixe, nós como humanos precisamos nos lançar - novas descobertas, novas mudanças e novas realizações. No entanto, se eu tivesse deixado de observar eu jamais teria visto os peixinhos que eu estava tentando capturar. Se certo ou errado, o ato de pegar peixinhos somente foi possível com observação calma e cuidadosa. Isso me faz acreditar que se nós parássemos um pouco mais para observar as situações que nos cercam, seríamos presenteados com mais, e possivelmente com melhores soluções.

Como seres humanos, temos pouco tempo em nossas vidas, contudo, na verdade, temos todo o tempo que poderíamos precisar. Não seja apenas um ser programado para andar, trabalhar, correr, dormir. Pare um pouco e olhe mais profundamente para dentro do mundo que o abriga. Você poderá se surpreender com o que se esconde logo atrás do que se vê.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Começo e Fim


Quanto mais me afasto do que ficou para trás, me aproximo de algo novo, desconhecido e desafiador. Embora eu não saiba o que o futuro me reserva, eu só desejo não cometer novamente os erros que cometi e desejo mais ainda esquecer a sensação extasiante que ficou em meus lábios e o calor arrebatador dos seus braços ao meu redor.

E agora, mesmo achando que isso não fosse acontecer tão cedo, encontrei um novo horizonte, e assim como cada dia é um novo começo que me faz sentir medo e excitação, espero que esta nova aventura não seja tão curta quanto os dias o são.

Ainda mantenho a minha promessa. A culpa não é sua, não é minha. Trata-se de aceitar que tem coisas na vida que não são nossa escolha. Talvez em algum dia não esperado possamos nos encontrar e enfim compartilhar de um abraço de poucos segundos que parecem durar pra todo o sempre. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um Dia Especial



Um dia qualquer, como outros tantos.

24 horas apenas... ou muitas?


Tantas inspirações nos cercam, afinal.


Momentos únicos, que fazem a vida valer cada segundo vivido.


Hoje a inspiração e motivação vieram de modo óbvio 


Óbvio, entretanto raramente considerado e refletido:


AMIZADE


Um dia li que ela é o mais nobre e puro dos amores.


É o amor desinteressado, que não requer atração física e desejo.


Nossos amigos compõem aquilo que somos.


Nos integram, fazem parte de nosso conteúdo.


Mesmo que às vezes distantes no tempo e no espaço.


Inusitadamente, sossegado, no aconchego do lar


Surgiu alguém que há muito tempo não via.


Quase uma hora da manhã... e lembrou-se de mim.


Fez toda diferença.


Um simples gesto.


Carinho e consideração. 


Laços que o tempo jamais poderá romper. 

O papo se prolongou; risadas, puxões de orelha.


Mas amizade acima de tudo!


Verdade, sinceridade... 


Se ora me manifesto, vem desta inspiração e contato.


Este amigo, com seus conflitos, imperfeições e bagagem de vida, me fez ver um novo sentido para cada a instante vivido.