sábado, 22 de outubro de 2011

Você e Eu.



Por algum motivo você me visitou nesta manhã. Você me fez lembrar o quanto você estava ferido e magoado. Você me lembrou que mesmo depois de tanto tempo você ainda não está curado e precisa de cuidado. Percebi que às vezes você surge nas situações mais simples do dia a dia e é como se me desse um tapinha nas costas apenas para me lembrar que eu nunca devo esquecer você. Você tenta me convencer das coisas e me faz sentir como se eu não nunca fizesse o bastante para manter você vivo.

Você me empurra para frente e me conduz até o limite das minhas capacidades. A todo instante você espera ansioso que eu cruze a linha de chegada só para que você se levante e seja reconhecido pelo que você é. Às vezes me dou conta de que nunca te decepcionei. Permaneci fiel a você porque você me convenceu de que você é tudo o que eu tenho e a minha maior vontade é te fazer justiça.

Por muito tempo achei que homem nenhum poderia ser capaz de tirar você de mim, mas já o fizeram. E por causa disso eu passei a conviver com um lado seu que sempre vai carregar ressentimentos contra mim e me lembrar de que sou culpado por quem você é hoje.

Eu te amo porque você me fez lutar. Eu te odeio porque você me persuadiu a fazer coisas que eu não deveria ter feito. Eu me sinto protegido quando você age e me guarda de tantos caminhos maus. Você é infinitamente mais forte e o único que pode salvar minha alma da destruição.

Eu acredito em um poder superior e é está fé que me convence de que aqueles que o feriram um dia irão compreender o poder destrutivo de seus próprios atos.

Você, MEU ORGULHO.
  

domingo, 16 de outubro de 2011

Cubo Mágico


"A vida é como um Cubo Mágico – às vezes você tem de torná-lo pior antes que possa torná-lo melhor."  (Jorawer Joe)





O Cubo de Rubik ou "Cubo Mágico" foi inventado em 1974 pelo escultor húngaro e professor de arquitetura Ernő Rubik. Originalmente destinado a seus alunos para entenderem melhor as estruturas 3D. Na década de 90 foi um dos brinquedos mais vendidos do mundo. 

Existem aproximadamente 43.252.003.274.489.856.000 permutações possíveis para um cubo de Rubik, mas apenas uma solução! Quero dizer, e se as coisas na vida fossem tão complicadas quanto isso? O mais incrível é que qualquer cubo mágico pode ser resolvido com apenas 22 movimentos ou até menos! 

Estes dias revirei um monte de coisa velha aqui em casa e encontrei um desses, que já não via há uns 5 anos pelos menos. Na mesma hora me lembrei de como eu ficava maluco tentando colocar as cores certas, e lembro que quando achava que estava perto, tinha que girar de novo para consertar outro lado que eu achava estar correto. Essa complexidade do Cubo de Rubik reflete também como o ser humano age quando se trata de lidar com as complexidades de sua própria vida.

Uma comparação meio barata, eu concordo! A vida é complexa, de fato, mas vamos observar as coisas na perspectiva correta: A vida às vezes é injusta, mas se ela é injusta com todos, então ela é justa! O que acontece com a gente não é tão importante quanto a forma que reagimos ao que aconteceu. É a maneira que lidamos que faz toda a diferença! 

Muitas vezes sabemos exatamente o que queremos, mas é como se nossa vida fosse ditada por mais 1001 outros fatores. Isto é, você ama a sua vida e não trocaria os seus sonhos por qualquer outra coisa ou pela vida de ninguém, mas não entende porque tantas vezes se sente fora de foco de tudo o que você quer realizar.

 

É tudo uma questão de equilíbrio. Não é apenas o preto ou o branco, isto ou aquilo, temos que aprender a mergulhar na infinidade de tons cinzas entre um e outro. Algo muito semelhante ao malabarismo. Todos nós temos nossas próprias bolinhas para equilibrar, e alguns optam por ter mais bolinhas do que outros.
 
     

Esse equilíbrio é a peça central do cubo. Dizem que o segredo para resolvê-lo é fixar-se na peça do meio, pois ela é a única parte fixa do cubo, que não muda. Em nossa vida, essas peças centrais mudam de pessoa para pessoa. Para alguns é a família, para outros o trabalho, os estudos, o relacionamento, a saúde, a realização pessoal, e assim vai.

Lembre-se que para acertar um lado do cubo a gente precisa às vezes embaralhar outro e assim temos que mexer com todas as outras peças, que estão sempre ligadas à peça do meio.  

Às vezes fica pior antes de ficar melhor. Combinar as cores leva tempo e esforço e assim também na vida é preciso tempo e sobretudo estratégia para o desafio de deixá-la em harmonia. 

 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sentir



Eu costumava ter vergonha do quanto sou sensível às vezes. Emocionar-me durante um filme, lendo um livro, e recentemente eu descobri que até uma música pode me quebrar e me fazer chorar. Durante muitos anos eu achava que deveria reprimir essas reações, porque sensibilidade demais em um homem acaba passando uma imagem de fragilidade e eu achava que isso era certo. Mas com o tempo aprendi que isso significa apenas uma coisa: eu estou cheio de VIDA. E esta vida transborda dia após a dia a cada nova sensação que percorre meu sangue. Eu preciso sentir emoção, preciso desses sentimentos. Eu anseio por viver todas as emoções que os escritores, compositores e artistas já viveram, e sentir uma conexão não apenas com a história que está sendo contada, mas com o coração que a criou. E mais importante, aprendi que esconder os sentimentos não é necessariamente sinal de fraqueza, mas expressá-los requer coragem, e isso ficou para poucos.

  

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Você pode me ouvir?



Eu não disse uma palavra, e ainda assim falei mais do que devia.

Meus pensamentos e desejos estão escritos por toda minha face.

Este sorriso não passa de uma distração.

Você está evitando meus olhos por saber que eles estão pedindo sua ajuda?

O silêncio que criamos continua gritando em minha cabeça.

E você segue sem ainda ouvir nada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Perfeição



Perfeição é uma estrada que some no horizonte. Uma condição não alcançada, e inevitavelmente almejada. Ela é perfeita, mas você não é perfeito. Eu não sou perfeito. Perfeitos não são seus sonhos e nem seus objetivos. Perfeição não é o seu destino. Sua busca pela perfeição sempre irá conduzi-lo à imperfeição.

O perfeito te faz deixar de ser quem você realmente é. Ele te inebria, te ilude, te consome até o fim e esgota o último de sua energia em tentativas frustradas de realizar o inatingível. Perfeição não é a resposta. Perfeição é inimiga. Já dizia Fernando Pessoa que "o perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito".

Em vez de perfeição, devemos pensar em outra meta muito melhor e possível de ser alcançada: a EXCELÊNCIA – a arte de dar o melhor de si e fazer tudo da melhor forma possível. Ser excelente é ser melhor a cada nova oportunidade que surge, em cada detalhe e saber aproveitar ao máximo cada momento vivido. Este é o grande segredo para uma vida de grandeza e sucesso!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Outro

 

Estamos numa encruzilhada e são três as nossas opções: (01) nos tornamos amantes, (02) damos adeus um ao outro ou (03) comodamente deixamos tudo nas mãos do destino.

Eu trago na bagagem tudo o que poderia ter sido e não poderá ser. Carrego comigo o arquivo morto dos planos desfeitos. Coloco-me frente a frente com o destino só para não perder a oportunidade de jogar na cara dele e dizer:

– Você mentiu, não havia nada reservado para nós.

A opção número 01 é indigesta. Tem o gosto doce do momento passageiro e o sabor amargo dos dias seguintes que nunca parecem ter fim, o gosto amargo da espera, a acidez da frustração e é tão insossa quanto a falta de coragem dos covardes.

Optar pelo 01 é assumir o papel de número 02 na vida de alguém. É ser o Second Best. É estar na retaguarda. É ser um reserva no banco sentimental e ser a estrela apenas mediante a ausência do titular.

Ser a segunda opção é transformar-se numa massinha de modelar de jardim de infância. Em nome de um sentimento obsessivo você tem que estar disposto a abrir mão dos seus próprios valores e predispor-se ao que der e vier. 

Você se deixa moldar, não pode cobrar, não tem dias e nem horários fixos e não pode demonstrar seu mau-humor. Não importa o que aconteça você sempre dará um jeito de se encaixar na agenda dele porque ele é quem tem o controle sobre você e deixa claro que você não pode ocupar o espaço destinado àquele que já é a prioridade.

Ser a segunda opção implica em ter que conviver insistentemente com os flashes importunos que passam pela sua cabeça ao lembrar que, enquanto você se faz de sombra, ele constrói sua vida sob os holofotes ao lado de outra pessoa.

Você tem que assumir a imutabilidade dessa conveniência de mão única ao mesmo tempo em que lá no fundo você tenha uma vaga esperança de que um dia essa circunstância possa mudar. Mas não vai mudar.

Ser a segunda opção é consolar-se com o pouco quando na verdade se quer o todo. É jogar a toalha, desistir da luta e contentar-se com o prêmio de melhor fair play.

Não é para mim.

Assim como nos jogos e competições, também na vida aprendi que nunca se ganha um prêmio de segundo lugar, apenas se perde o primeiro. E se é para competir, que seja pela vitória.

sábado, 16 de julho de 2011

O Tempo Cura?



Eu me dei conta de que o tempo não cura todas as feridas. Às vezes é preciso muito mais do que apenas tempo. Lembra de quando você era criança e se machucou ao cair da bicicleta ou brincando de correr? Você chorava sem parar e a ferida ardia muito. Mamãe ou papai vieram e o abraçaram, dizendo que tudo ia ficar bem, que "já passou". Eles lavaram o machucado, limparam o local e fizeram um curativo: "Tá vendo, logo vai sarar!"

Os anos passaram. Você ainda tem as cicatrizes. Você ainda tem a lembrança exata do que aconteceu, do que você sentiu, do que fez e como tudo sucedeu. O tempo passou. Mas você ainda vê onde tudo aconteceu. Aquele pedaço de sua pele não é o mesmo que o resto de seu corpo. É apenas um pouco mais sensível e sempre será suscetível a "abrir-se" de novo com alguma pancada certeira.

E quando o coração é ferido? O tempo é o bastante para curar ou é preciso mais? É necessário alguém para fazê-lo sentir-se melhor assim como nossos pais o fizeram em nossa infância? É preciso alguém para limpá-lo e garantir que tudo vai ficar bem? Tem de haver aquela sensação de segurança de que não vai acontecer de novo? Será que ficaremos mais fortes ou haverá cicatrizes como aquelas em nossos corpos que sempre serão mais sensíveis e suscetíveis a se abrirem de novo?

Compreendo que não sei... talvez o tempo o diga. 

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